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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Deus em Três Pessoas: a "Trindade”



Podemos definir a doutrina da Trindade do seguinte modo: Deus existe eternamente como três pessoas — Pai, Filho e Espírito Santo — e cada pessoa é plenamente Deus, e existe só um Deus. A palavra trindade não se encontra na Bíblia, embora a idéia representada pela palavra seja ensinada em muitos trechos. Trindade significa “tri-unidade” ou “três-em-unidade”. É usada para resumir o ensinamento bíblico de que Deus é três pessoas, porém um só Deus. Em certo sentido a doutrina da Trindade é um mistério que jamais seremos capazes de entender plenamente. Podemos, todavia, compreender parte da sua verdade resumindo o ensinamento das Escrituras em três declarações:
1. Deus é três pessoas: O fato de ser Deus três pessoas significa que o Pai não é o Filho; são pessoas distintas. Significa também que o Pai não é o Espírito Santo, mas são pessoas distintas. E significa que o Filho não é o Espírito Santo. Essas distinções se mostram em várias das passagens citadas na seção anterior, bem como em muitas outras passagens do Novo Testamento.
2. Cada pessoa é plenamente Deus: Além do fato de serem as três pessoas distintas, as Escrituras também dão farto testemunho de que cada pessoa é plenamente Deus. Primeiro, Deus Pai é claramente Deus. Isso se evidencia desde o primeiro versículo da Bíblia, no qual Deus cria o céu e a terra. É evidente em todo o Antigo e no Novo Testamento, nos quais Deus Pai é retratado nitidamente como Senhor soberano de tudo e onde Jesus ora ao seu Pai celeste. Também, o Filho é plenamente Deus. Embora esse ponto seja desenvolvido com mais pormenores no capítulo 26 (“A Pessoa de Cristo”), podemos aqui mencionar de passagem vários trechos explícitos. João 1.1-4
Além disso, o Espírito Santo é também plenamente Deus. Uma vez que entendamos que Deus Pai e Deus Filho são plenamente Deus, então as expressões trinitárias em versículos como Mateus 28.19 (“batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”) se revestem de relevância para a doutrina do Espírito Santo, pois mostram que o Espírito Santo está classificado no mesmo nível do Pai e do Filho.
3. Só há um Deus: As Escrituras deixam bem claro que só existe um único Deus. As três diferentes pessoas da Trindade são um não apenas em propósito e em concordância no que pensam, mas um em essência, um na sua natureza essencial. Em outras palavras, Deus é um só ser. Não existem três Deuses. Só existe um Deus.
A importância da doutrina da Trindade.
Por que a igreja tanto se ocupou da doutrina da Trindade? Será realmente essencial apegar-se à plena divindade do Filho e do Espírito Santo? Certamente sim, pois esse ensinamento traz implicações para o próprio cerne da fé cristã. Em primeiro lugar, está em jogo a expiação. Em segundo lugar, a justificação somente pela fé fica ameaçada se negamos a plena divindade do Filho. Em terceiro lugar, se Jesus não é o Deus infinito, será que devemos nos dirigir a ele em oração ou adorá-lo? Na verdade, se Jesus é meramente uma criatura, por maior que seja, seria idolatria adorá-lo — e no entanto o Novo Testamento nos ordena fazê-lo (Fp 2.9-11; Ap 5.12-14). Em quarto lugar, se alguém prega que Cristo foi um ser criado e, mesmo assim, nos salvou, então esse ensinamento atribui erroneamente o mérito da salvação a uma criatura, e não ao próprio Deus. Em quinto lugar, a independência e a natureza pessoal de Deus estão em jogo: se a Trindade não existe, então não houve relacionamentos interpessoais dentro do ser divino antes da criação, e, sem relacionamento pessoais, é difícil entender como Deus poderia ser genuinamente pessoal ou como não teria a necessidade da criação para com ela relacionar-se. Em sexto lugar, a unidade do universo está em jogo: se não há pluralidade perfeita e unidade perfeita no próprio Deus, então também não temos fundamento para pensar que possa existir alguma unidade última entre os diversos elementos do universo.
Não é correto dizer que não podemos compreender nada da doutrina da Trindade. Certamente podemos compreender e saber que Deus é três pessoas, e que cada pessoa é plenamente Deus, e que só há um Deus. Podemos saber essas coisas porque a Bíblia as ensina. Além disso, podemos saber algumas coisas acerca do modo como as pessoas se relacionam umas com as outras. Mas o que não podemos compreender plenamente é como encaixar esses diferentes ensinamentos bíblicos. Perguntamo-nos como pode haver três pessoas distintas, como cada pessoa pode conter em si a totalidade do ser divino, e como, apesar disso, Deus é um ser único e indiviso. Isso não somos capazes de compreender. De fato, nos é espiritualmente saudável reconhecer abertamente que o ser divino em si é tão imenso que jamais poderemos vir a compreendê-lo. Isso nos humilha diante de Deus e leva-nos a adorá-lo sem reservas.
Mas também é preciso dizer que as Escrituras não nos pedem que creiamos numa contradição. Contradição seria dizer: “só existe um único Deus e não existe um único Deus” ou “Deus é três pessoas e Deus não é três pessoas” ou mesmo (semelhante à afirmação precedente) “Deus é três pessoas e Deus é uma pessoa”.
Como Deus em si mesmo contém tanto a unidade quanto a diversidade, não é de admirar que unidade e diversidade também se reflitam nas relações humanas que ele firmou. Percebemos isso inicialmente no casamento. Quando Deus criou o homem à sua própria imagem, não criou meros indivíduos isolados, mas diz-nos a Bíblia: “homem e mulher os criou” (Gn 1.27). E na unidade do casamento (ver Gn 2.24) percebemos não uma triunidade como em Deus, mas pelo menos uma notável unidade de duas pessoas, pessoas que permanecem indivíduos distintos, porém se tornam um só em corpo, mente e espírito (cf. 1Co 6.16-20; Ef 5.31).
Na “MENSAGEM e fé BATISTA da Convenção Batista do Sul dos EUA” temos as seguintes conceituações de Deus Pai, Filho e Espirito Santo:
Há um e somente um Deus vivo e verdadeiro. Ele é um ser inteligente, espiritual e pessoal, o Criador, o Redentor, o Sustentador e o Senhor do universo. Deus é infinito em santidade e em todas as outras perfeições. A ele devemos supremo amor, reverência e obediência. O eterno Deus revela-se a nós como Pai, Filho e Espírito Santo, com atributos pessoais distintos, mas sem divisão de natureza, de essência ou de ser.
Deus como Pai reina com cuidado providencial sobre seu universo, sobre suas criaturas e sobre o fluxo da história humana, de acordo com os propósitos de sua graça. Ele é todo poder, todo amor e todo sabedoria. Deus é Pai em verdade para os que se tornaram filhos de Deus através da fé em Jesus Cristo. Ele é paternal em sua atitude para com todos os homens.
Cristo é o eterno Filho de Deus. Em sua encarnação como Jesus Cristo foi concebido pelo Espírito Santo e nasceu da virgem Maria. Jesus revelou perfeitamente a Deus e fez a vontade de Deus, tomando sobre si os requisitos e as necessidades da natureza humana, identificando-se completamente com o ser humano ainda que sem pecado. Ele honrou a lei divina por sua obediência pessoal, e em sua morte na cruz fez provisão para a redenção dos homens do pecado. Foi ressuscitado dentre os mortos em um corpo glorificado e apareceu aos seus discípulos como aquele que esteve com eles antes de sua crucificação. Subiu ao céu e agora está exaltado à direita de Deus, onde é o único Mediador, participando da natureza de Deus e do homem, e em cuja pessoa efetua-se a reconciliação entre Deus e o homem. Ele voltará em poder e glória para julgar o mundo e consumar sua missão redentora. Habita agora em todos os crentes como Senhor vivo e para sempre presente.
O Espírito Santo é o Espírito de Deus. Ele inspirou santos homens do passado para escreverem as Escrituras. Através da iluminação capacita homens a entenderem a verdade. Ele exalta a Cristo. Convence do pecado, da justiça e do juízo. Chama os homens ao Salvador e efetua a regeneração. Desenvolve o caráter cristão, consola os crentes e concede dons espirituais pelos quais servem a Deus através de sua igreja. Ele sela o crente para o dia da redenção final. Sua presença no cristão é a segurança de que Deus trará o crente à plenitude da estatura de Cristo. Ilumina e capacita o crente e a igreja para a adoração, a evangelização e o serviço.
Extraído de : Teologia Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida Nova.


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