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sábado, 19 de outubro de 2013

Apostila de Fundamentos da Fé Cristã: Capítulo 1 : A Doutrina da Palavra de Deus


Início da Apostila de Fundamentos da Fé Cristã...um material resumido com teologia de doutrinas bíblicas para auxiliar o melhor entendimento do Cristianismo. 

Capítulo 1 : A Doutrina da Palavra de Deus



A Bíblia, palavra de Deus, não é um livro qualquer. A origem dela está em Deus, que falou através de homens separados para registrar sua Palavra. O Espírito Santo habitou em certos homens, inspirou-os, e assim dirigiu-os que eles, em plena consciência, expressaram-se na sua singular maneira pessoal. O Espírito capacitou homens a conhecer e expressar a verdade de Deus. Ele impediu-os de incluir qualquer coisa que fosse contrária a essa verdade de Deus. Ele também impediu-os de escrever coisa que não eram necessárias. Assim, homens escreveram como homens, mas, ao mesmo tempo, comunicaram a mensagem de Deus, não a do homem .
Essa compreensão, que advém das próprias Escrituras, caracteriza distintamente o cristianismo: os profetas não falaram aleatoriamente o que pensavam; antes, “testificaram a verdade de que era a boca do Senhor que falava através deles” [3]. Sobre essa questão Calvino declarou:
Eis aqui o principio que distingue nossa religião de todas as demais, ou seja: sabemos que Deus nos falou e estamos plenamente convencidos de que os profetas não falaram de si próprios, mas que, como órgãos do Espírito Santo, pronunciaram somente aquilo para o qual foram do céu comissionados a declarar. Todos quantos desejam beneficiar-se das Escrituras devem antes aceitar isto como um principio estabelecido, a saber: que a lei e os profetas não são ensinos passados adiante ao bel-prazer dos homens ou produzidos pelas mentes humanas como uma fonte, senão que foram ditados pelo Espírito Santo [4].
Nas Escrituras temos todos os livros que Deus quis que fossem preservados para nossa edificação:
Aquelas [epístolas] que o Senhor quis que fossem indispensáveis à sua Igreja, Ele as consagrou por sua providência para que fossem perenemente lembradas. Saibamos, pois, que o que foi deixado nos é suficiente, e que sua insignificância não acidental; senão que o cânon das Escrituras, o qual se encontra em nosso poder, foi mantido sob controle através do grandioso conselho de Deus .
Que significa então a frase “a Palavra de Deus”? Na verdade, há vários significados que essa frase assume na Bíblia. Vale a pena distinguir claramente esses diferentes sentidos no começo deste estudo.

A. “A Palavra De Deus” Como Pessoa: Jesus Cristo

Às vezes a Bíblia refere-se ao Filho de Deus como “a Palavra de Deus”. Em Apocalipse 19.13, João vê o Senhor Jesus ressurreto no céu e diz: “Está vestido com um manto tingido de sangue, e o seu nome é a Palavra de Deus” (nvi). De modo semelhante, no começo do Evangelho de João lemos: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus” (Jo 1.1, nvi). É claro que João está falando aqui do Filho de Deus, porque no versículo 14 diz: “A Palavra tornou-se carne e viveu entre nós.

B. “A Palavra de Deus” como comunicação verbal de Deus

1. Os decretos de Deus.

Às vezes as palavras de Deus tomam a forma de decretos poderosos que causam eventos ou até mesmo trazem coisas à existência. “Disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Gn 1.3). Deus criou ainda o mundo animal proferindo sua poderosa palavra: “Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez” (Gn 1.24). Por isso, o salmista pode dizer: “Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles” (Sl 33.6).

2. Palavras de Deus de aplicação pessoal.

Deus às vezes se comunica com pessoas sobre a terra falando diretamente a elas. Esses casos são exemplos de Palavra de Deus de aplicação pessoal e encontram-se através das Escrituras. Bem no início da criação, Deus diz a Adão: “E o Senhor Deus lhe deu essa ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16-17).

3. Palavras de Deus comunicadas por lábios humanos.

Com freqüência nas Escrituras Deus levanta profetas para falar por meio deles. De novo, é evidente que embora sejam palavras humanas, faladas em linguagem humana comum por seres humanos comuns, sua autoridade e veracidade não sofrem nenhuma redução; ainda são inteiramente palavras de Deus.

4. Palavras de Deus em forma escrita (a Bíblia).

Além das palavras de Deus em forma de decreto, das palavras de Deus de aplicação pessoal e das palavras de Deus comunicadas por lábios humanos, também encontramos nas Escrituras várias situações em que as palavras de Deus são colocadas em forma escrita. Deus é o Autor da Escrituras. Mesmo a Bíblia sendo registrada por homens, falando do pecado do homem, descrevendo a desobediência circunstancial de seus autores secundários, ela é prioritariamente um livro divino. 
Paulo diz que “toda Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3.16), indicando a sua procedência: toda a Escritura Sarada é soprada, exalada por Deus. Esta Palavra não foi apenas entregue aos homens, mas foi preservada por Deus; Deus preservou ao seu registro e quanto à sua conservação.

C. O ponto de convergência do nosso estudo

De todas as formas da Palavra de Deus,  o ponto de convergência de nosso estudo é a Palavra de Deus em forma escrita, isto é, a Bíblia. Essa é a forma da Palavra de Deus disponível para estudo, pesquisa pública, exame repetido e como base para discussão uns com outros. Ela nos fala sobre a Palavra de Deus e para ela nos conduz como a uma pessoa, ou seja, Jesus Cristo, a quem não temos agora em forma corpórea sobre a terra e cuja vida e ensino, por conseguinte, não somos capazes de observar nem de imitar de primeira mão.
“Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite.” Salmos 1:1-2

D- Ficamos convencidos das declarações da Bíblia de ser a Palavra de Deus à medida que a lemos. 
Uma coisa é afirmar que a Bíblia alega ser as palavras de Deus; outra coisa é ser convencido de que essa alegação é verdadeira. Nossa convicção suprema de que as palavras da Bíblia são palavras de Deus vem somente quando o Espírito Santo fala em e por meio das palavras da Bíblia ao nosso coração e nos dá a certeza interior de que essas são as palavras do Criador para nós. Sem a obra do Espírito de Deus, a pessoa nunca receberá ou aceitará a verdade de que as palavras da Bíblia são de fato a Palavra de Deus.


Mas para aqueles em quem o Espírito de Deus está operando, há o reconhecimento de que as palavras da Bíblia são as palavras de Deus. Esse processo é intimamente análogo ao qual as pessoas que criam em Jesus sabiam que as palavras dele eram verdadeiras. Ele disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.27). Os que são ovelhas de Cristo ouvem as palavras de Cristo, o grande Pastor delas, da mesma maneira que lêem as palavras da Escritura, e se convencem de que essas palavras são, de fato, as palavras do seu Senhor.
É importante lembrar que essa convicção de que as palavras da Escritura são as palavras de Deus não vem separada das palavras da Escritura ou em acréscimo às palavras da Escritura. Não é que o Espírito Santo cochiche em nosso ouvido, dizendo: ”Você vê aquela Bíblia sobre a sua escrivaninha? Eu quero que você saiba que as palavras daquela Bíblia são as palavras de Deus”. Ao contrário, enquanto as pessoas lêem a Escritura é que percebem que o livro que estão lendo é diferente de qualquer outro livro, que ele é de fato o livro que contém as próprias palavras de Deus falando ao coração delas.

E- As qualidades morais e espirituais necessárias para o entendimento correto. 
Os escritores do NT muitas vezes afirmam que a capacidade de entender a Escritura corretamente é mais uma capacidade moral e espiritual que intelectual: “Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente” (1 Co 2.14; cf. 1.18—3.4; 2Co 3.14-16; 4.3,4,6; Hb 5.14; Tg 1.5,6; 2Pe 3.5; cf. Mc 4.11,12; Jo 7.17; 8.43). Assim, embora os autores do NT afirmem que a Bíblia em si mesma seja escrita com clareza, eles também afirmam que ela não será entendida corretamente por aqueles que não estão desejosos de receber seus ensinos. A Escritura é capaz de ser entendida por todos os descrentes que vão lê-la sinceramente buscando salvação e pelos crentes que a lerão procurando a ajuda de Deus para entendê-la. Isso acontece porque, em ambos os casos, o Espírito Santo opera vencendo os efeitos do pecado, que de outra forma fariam a verdade parecer tolice (lCo 1.18-25; 2.14; Tg 1.5,6,22-25).
A Bíblia foi escrita de tal modo que todas as coisas necessárias para a salvação e para nossa vida cristã e nosso crescimento são muito claramente demonstradas na Escritura. Embora certos teólogos já tenham definido a clareza da Escritura de modo mais estrito (dizendo, por exemplo, que ela é clara somente no ensino do caminho da salvação), os textos citados anteriormente aplicam—se a muitos aspectos diferentes do ensino bíblico e não parecem dar apoio a tal limitação às áreas em que se considera que ela fala claramente. Parece mais fiel aos textos bíblicos citados definir a clareza da Escritura do seguinte modo: A clareza da Escritura significa que a Bíblia foi escrita de tal modo que seus ensinos são passíveis de ser entendidos por todos que a lêem procurando pela ajuda de Deus e que estão desejosos de recebê-la. Uma vez que afirmemos isso, contudo, devemos também reconhecer que muitas pessoas, mesmo as do povo de Deus, ainda compreendem erroneamente a Escritura.

F- Atibutos da Bíblia: Os principais ensinos da Bíblia a seu próprio respeito podem ser classificados em quatro características (às vezes chamadas atributos):
(1)    a autoridade das Escrituras;
(2)    a clareza das Escrituras;
(3)    a necessidade das Escrituras;  
(4)    a suficiência das Escrituras.
1-Autoridade das Escrituras: A autoridade das Escrituras significa que todas as palavras nas Escrituras são palavras de Deus, de modo que não crer em alguma palavra da Bíblia ou desobedecer a ela é não crer em Deus ou desobedecer a ele.
2- Clareza das Escrituras : Para resumir essa matéria bíblica, podemos afirmar que a Bíblia é escrita de forma tal que todas as coisas necessárias para nossa salvação e para nossa vida e crescimento cristão encontram-se bem claramente expostas nas Escrituras. Embora os teólogos às vezes definam a clareza das Escrituras de modo mais estreito (dizendo, por exemplo, apenas que as Escrituras são claras no ensino do caminho da salvação), os muitos textos citados acima se aplicam a vários aspectos diferentes do ensino bíblico e não parecem sustentar nenhuma limitação com relação a temas sobre os quais se pode dizer que as Escrituras não falam claramente. A doutrina da clareza da Escritura tem uma implicação prática muito importante e extremamente encorajadora. Ela nos diz que onde há áreas de discordância doutrinária ou ética (por exemplo, sobre o batismo, predestinação ou governo da igreja), há somente duas causas possíveis de discordância: 1) De um lado, pode ser que estejamos procurando fazer afirmações onde a Escritura silencia. Em tais casos, devemos estar mais preparados para admitir que Deus não tem dado resposta à nossa investigação e permitir que haja diferentes perspectivas dentro da igreja. (Esse muitas vezes é o caso com respeito a diversas questões práticas, como métodos de evangelização, estilos de ensino bíblico ou tamanho apropriado de igreja). 2) De outro lado, é possível que tenhamos cometido erros em nossa interpretação da Escritura. Isso pode ter acontecido porque os dados que usamos para decidir uma questão de interpretação foram inexatos ou incompletos. Ou isso se deve a algumas insuficiências pessoais de nossa parte, como orgulho pessoal, avidez, falta de fé, egoísmo, ou mesmo falha em dedicar tempo suficiente à leitura e estudo da Escritura acompanhados de oração.
Mas em nenhum caso somos livres para dizer que o ensino da Bíblia sobre qualquer assunto seja confuso ou não seja passível de ser entendido corretamente. Em nenhum caso devemos pensar que as discordâncias persistentes sobre algum assunto no decorrer da história da igreja signifiquem que não sejamos capazes de chegar à conclusão correta sobre a questão. Antes, se a preocupação genuína a respeito de tal assunto surge em nossa vida, devemos sinceramente buscar a ajuda de Deus e, então, ir à Escritura, pesquisando com toda a nossa aptidão, crendo que Deus irá nos capacitar para termos o entendimento correto.
3- Necessidade das Escrituras: A necessidade da Escritura pode ser definida do seguinte modo: A necessidade da Escritura significa que a Bíblia é necessária para o conhecimento do evangelho, para a manutenção da vida espiritual e para certo conhecimento da vontade de Deus, mas não é necessária para saber que Deus existe ou para saber algo a respeito do caráter de Deus e das leis morais.Essa definição pode agora ser explicada em suas várias partes. 
3.1-  A Bíblia é necessária para o conhecimento do evangelho. 
Em Romanos 10.13,14,17, Paulo diz: “...porque ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? [...] Conseqüentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo”
3.2-  A Bíblia é necessária para a manutenção da vida espiritual. 
Jesus diz em Mateus 4.4 (citando Dt 8.3) que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Aqui Jesus indica que nossa vida espiritual é mantida pela nutrição diária com a Palavra de Deus, exatamente como nossa vida física é mantida pela nutrição diária com comida física. Negligenciar a leitura regular da Palavra de Deus é prejudicial para a saúde de nossa alma, como negligenciar a comida física é prejudicial para a saúde de nosso corpo.
3.3- A Bíblia é necessária para o conhecimento seguro da vontade de Deus. 
Será argumentado adiante que todas as pessoas nascidas possuem algum conhecimento da vontade de Deus por meio de sua consciência. Mas esse conhecimento é muitas vezes indistinto e não pode comunicar certeza. De fato, se não houvesse nenhuma Palavra de Deus escrita, não poderíamos nunca adquirir certeza a respeito da vontade de Deus por outros meios, como o conselho de outros, o testemunho interno do Espírito Santo, circunstâncias mudadas e o uso do raciocínio santificado e do senso comum. Esses meios todos poderiam dar uma aproximação da vontade de Deus de modo mais ou menos confiável, mas somente por intermédio deles nenhuma certeza da vontade de Deus poderia ser obtida, ao menos no mundo decaído onde o pecado distorce a nossa percepção do que é certo e do que é errado, conduz ao raciocínio errôneo em nosso processo de pensamento e suprime de vez em quando o testemunho de nossa consciência (cf. Jr 17.9; Rm 2.14,15; lCo 8.10; Hb 5.14; 10.22; v. tb. lTm 4.2; Tt 1.15).
3.4- Mas a Bíblia não é necessária para se saber que Deus existe ou para saber algo a respeito do caráter de Deus e das leis morais.
Que dizer de pessoas que não lêem a Bíblia? Elas podem obter algum conhecimento de Deus? Elas podem conhecer certas coisas a respeito de suas leis? Sim, é possível algum conhecimento de Deus sem a Bíblia, mesmo que não seja um conhecimento seguro. É uma  revelação geral,pessoas podem obter o conhecimento de que Deus existe e de alguns de seus atributos simplesmente por observar a si mesmas e ao mundo que as rodeia. Davi diz: “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos” (Sl 19.1). Olhar para o céu significa ver a evidência do infinito poder, sabedoria e mesmo beleza de Deus; significa observar o testemunho majestoso da glória de Deus. O fato de que todas as pessoas conhecem alguma coisa das leis morais de Deus é uma grande bênção para a sociedade, pois sem elas não haveria restrição social à prática do mal que as pessoas cometeriam nem refreamento vindo de suas consciências. Porque há algum conhecimento comum do certo e do errado, os cristãos podem muitas vezes estabelecer grande consenso com os não-cristãos em matéria da lei civil, padrões de comunidade, ética básica de negócios e de atividade profissional, além de padrões de conduta aceitáveis na vida cotidiana. O conhecimento da existência e do caráter de Deus também proporciona uma base de informação que capacita o evangelho a fazer sentido para o coração e a mente do não-cristão; os descrentes sabem que Deus existe e que eles quebraram os seus padrões, de modo que as novas de que Cristo morreu para pagar por seus pecados deveriam soar verdadeiramente como boas novas para eles.
Já uma Revelação especial é necessária para a salvação. Contudo, deve ser enfatizado que em nenhum lugar a Escritura indica que as pessoas podem conhecer o evangelho, ou o caminho da salvação, por meio da revelação geral. Elas podem saber que Deus existe, que ele as criou, que elas lhe devem obediência e que elas pecaram contra ele. Mas como a santidade e a justiça de Deus podem ser conciliadas com o seu desejo de perdoar pecados é um mistério que nunca foi resolvido por religião alguma à parte da Bíblia. Nem a Bíblia nos dá qualquer esperança de que tal mistério possa ser desvendado independentemente da revelação específica de Deus. É uma grande maravilha de nossa redenção que o próprio Deus tenha providenciado o caminho de salvação por enviar o próprio Filho, que é tanto Deus como homem, para ser o nosso representante e suportar a penalidade de nossos pecados, combinando dessa forma a justiça e o amor de Deus de modo infinitamente sábio e por meio de um ato maravilhosamente gracioso. Esse fato, que parece lugar-comum aos ouvidos do cristão, não deveria perder o seu encanto para nós: ele nunca poderia ter sido concebido somente pelo homem independentemente da revelação verbal e especial de Deus.
4- Suficiência das Escrituras: Podemos definir assim suficiência das Escrituras: dizer que as Escrituras são suficientes significa dizer que a Bíblia contém todas as palavras divinas que Deus quis dar ao seu povo em cada estágio da história da redenção e que hoje contém todas as palavras de Deus que precisamos para a salvação, para que, de maneira perfeita, nele possamos confiar e a ele obedecer.
A explicação e o apoio bíblico significativos para essa doutrina são encontrados nas palavras de Paulo a Timóteo: “Porque desde criança você conhece as Sagradas Letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus” (2Tm 3.15).O contexto mostra que “as Sagradas Letras” aqui significam as palavras escritas na Escritura (2Tm 3.16). Isso é a indicação de que as palavras de Deus que temos na Escritura são todas as palavras de Deus de que precisamos a fim de que sejamos salvos; essas palavras são capazes de nos tornar sábios “para a salvação”.
Outras passagens indicam que a Bíblia é suficiente para equipar-nos para viver a vida cristã. Em Salmos 119.1 afirma-se: “Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do SENHOR!”. Esse versículo mostra a equivalência entre ser irrepreensível e “viver conforme a lei do SENHoR”; os irrepreensíveis são os que andam na lei do Senhor. Aqui temos a indicação de que tudo o que Deus requer de nós está registrado na Palavra escrita. Simplesmente fazer tudo o que a Bíblia ordena é ser irrepreensível à vista de Deus. Mais tarde lemos que um jovem pode “manter pura a sua conduta”. Como? “Vivendo de acordo com a tua palavra” (Sl 119.9). Paulo diz que Deus deu a Escritura a fim de que o homem de Deus fosse “plenamente preparado para toda boa obra” (2Tm 3.17).





G-   A Centralidade de Palavra
A Bíblia ocupa o centro do culto, pois é através dela que Deus nos fala. Calvino afirmou: "... a função peculiar do Espírito Santo consiste em gravar a Lei de Deus em nossos corações". A Igreja é a "escola de Deus". O Espírito é o "Mestre"(o “Mestre interior”). Para progredir nessa escola, “...devemos antes renunciar nosso próprio entendimento e nossa própria vontade”.
A pregação não deve ser rejeitada (lTs 5:19-21); deve ser entendida como a Palavra de Deus para nós; recusá-la é o mesmo que rejeitar o Espírito (cf. lTs 4:8). O pregador não "compartilha" opiniões nem dá "opiniões" sobre o texto bíblico, nem faz paráfrase irreverente do texto. O objetivo é expressar o que Deus disse sob a iluminação do Espírito. Pregar é explicar e aplicar a Palavra aos ouvintes. O aval de Deus não é sobre nossas teorias e escolhas, nem sobre a "graça" de piadas, mas sobre sua Palavra. Portanto, o pregador prega o texto, de onde provém a verdade de Deus para o seu povo. "Quando nos propomos a expor um texto, precisamos declarar exatamente o que o texto afirma. A pregação foi o meio deliberadamente escolhido por Deus para transformar pessoas e edificar seu povo, preservando a sã doutrina através da Igreja, que é o baluarte da verdade.
H- Antigo e Novo testamento – Alianças distintas
A estrutura do relacionamento que Deus estabeleceu com seu povo é a aliança. O primeiro elemento dessa aliança bíblica é o preâmbulo, o qual relaciona as  respectivas partes. Êxodo 20.2 começa com a frase: "Eu sou o Senhor, teu Deus". Deus é o suserano; o povo de Israel é o vassalo. O segundo elemento é o prólogo histórico. Esta seção relaciona o que o suserano (ou Senhor) fez para merecer a lealdade - como livrou os israelitas da escravidão do Egito. Em termos teológicos, esta é a seção da graça.
Na seção seguinte, o Senhor relaciona o que ele requer daqueles sobre quem governa. Em Êxodo 20, são os Dez Mandamentos. Cada um dos mandamentos era considerado um compromisso moral sobre toda a comunidade da aliança.
A parte final desse tipo de aliança relaciona as bênção e as maldições. O Senhor faz uma lista dos benefícios que concederá aos vassalos se eles seguirem as estipulações da aliança. Um exemplo disso se encontra no quinto mandamento. Deus prometeu aos israelitas que seus dias seriam longos na Terra Prometida, se honrassem os pais. A aliança também apresenta maldições que sobreviriam se o povo não cumprisse com suas responsabilidades. Deus adverte Israel que não os considerava como inocentes se falhassem em honrar seu nome. Esse padrão básico fica evidente nas alianças de Deus com Adão, Noé, Abraão, Moisés e a aliança de Jesus Cristo com sua Igreja.
Nos tempos bíblicos, as alianças eram ratificadas com sangue. No antigo testamento, velha aliança, era costume que ambas as partes que estavam entrando em aliança passassem entre as partes de um animal esquartejado, representando assim sua concordância com os termos da aliança (ver Jr 34.18). Temos um exemplo desse tipo de aliança em Gênesis 15-7--21. Nesse texto, Deus fez certas promessas a Abraão, as quais foram ratificadas por meio de sacrifício de animais. Nesse caso, porém, somente Deus passou entre as partes dos animais, indicando por meio de um juramento solene que estava se comprometendo a cumprir a aliança.
A nova aliança, a aliança da graça, descrita no Novo testamento, foi ratifica pelo derramamento do sangue de Cristo na cruz. No âmago desta aliança, está a promessa divina de redenção. Deus não só prometeu redimir todo aquele que põe sua confiança em Cristo, mas selou e confirmou a promessa com o mais santo dos votos. Servimos e adoramos um Deus que se comprometeu para a nossa completa redenção.

Conclusão 
Nós somos herdeiros do Reino de Deus, logo a Palavra de Deus é a fonte autoritativa de Deus para o nosso pensar, crer sentir e agir: A Palavra de Deus é-nos suficiente.
 Quando Satanás tentou a Jesus durante os seus 40 dias de jejum e oração no deserto, dizendo: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transforme em pães” (Mt 4.3),  Jesus Cristo, recorrendo ao Livro de Deuteronômio, capítulo 8, verso 3, respondeu: “ Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede de Deus” (Mt 4.4). Notemos que esta afirmação torna-se ainda mais dramática se consideramos o fato de que Jesus estava à beira da inanição, sendo induzido a pensar que caso não comesse imediatamente poderia morrer.
 Nestas palavras, não temos um contraste entre o espiritual e o físico, antes; há uma demonstração categórica, feita por Cristo, de que devemos ter me mente que a nossa sustentação, em todos os sentidos, provém de Deus: Somos sustentados pela Palavra de Deus. O mesmo Espírito que nos regenerou através da Palavra (Tg 1.18; 1Pe 1.23), age mediante esta mesma Palavra, para que vivamos, de fato, como novas criaturas que somos. A Bíblia é o instrumento eficaz do Espírito, porque ela foi inspirada pelo Espírito Santo (2Pe 1.21).
 Jesus orou ao Pai para que ele nos santificasse na Verdade, que é a sua Palavra. Meus irmãos, se quisermos crescer espiritualmente temos de recorrer à Palavra vivificada de Cristo; somente ela pode nos tornar sábios para a Salvação mediante a fé depositada unicamente em Jesus Cristo (2 Tm 3.15). Com este propósito ela foi-nos concedida (Rm 15.4).

 Você aceita a autoridade das Escrituras? Quando sua opinião sobre determinado tema é uma e a posição da Bíblia é outra, com qual você fica?

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Sua família pode estar vendo pornografia disfarçada de programa de TV! Entenda

Sua família pode estar vendo pornografia disfarçada de programa de TV! Entenda


Avatar de ffalvesPor Marisa Lobo em 27 de setembro de 2013
Os dados são alarmantes: a cada 15 segundos uma mulher é vítima de violência e a cada 18 minutos uma criança é abusada sexualmente no Brasil. A pornografia vende e vicia mais que as drogas, tornando-se  um mercado milionário. E aqui incluímos o consumo de pedofilia, que está em 3ª lugar, lucrando mais que tráfico de drogas  em nosso país.
A gravidez precoce e/ou indesejada  bate recorde entre as meninas de 12 a 16 anos. O número de abortos e o consumo de  pílula do dia seguinte são algumas das  graves consequências dessa banalização da sexualidade, e ainda temos uma preocupação mundial com o número crescente de casos de AIDS entre jovens, número quem vem aumentando a cada ano; e não podemos ser irresponsáveis e jogar a culpa de tudo isso na  falha da prevenção por culpa de igrejas que não permitem que se fale em camisinha e prevenção, o que é um mito. A responsabilidade social deve ser assumida e, se estes dados estão tão altos se deve à banalização da sexualidade, à sexualização precoce e ao relativismo sexual tão propagado na mídia.
Faço aqui uma defesa: A igreja, por sua vez, faz o trabalho inverso ao falar abertamente dos perigos dessa banalização sexual e incentivando cada vez mais nossas crianças e jovens a escolherem esperar até o casamento, tentando estimular, pelo menos em nosso meio, a sexualidade saudável.
Esses dados alarmantes só mostram a quantas andam  a autoestima e a saúde mental dos nossos jovens, diante de tantos comportamentos deturpados.
Crianças e adolescentes, normalmente incentivadas por essas ilusões  e mentiras propagadas com exaustão, se propõem a viver essas fantasias sem medir as consequências, sem pensar que a fantasia das novelas e dos programas  de TV em nada tem haver com a vida real, muitas vezes tão dura.
Me pergunto de onde vem tanta pornografia,  tanta banalização da sexualidade, tanto desrespeito ao seu corpo e ao corpo do outro.
A resposta é simples: vem de uma cultura  influenciada por culturas europeias do sexo, que vende o ato sexual como o realizador de todos os sonhos e o responsável pela felicidade e inteligência humana. Está infeliz? Faça sexo. Com quem? Não importa.
Para um mundo que idolatra o sexo e o vê como única forma de prazer, aliado à liberdade de uso de álcool e drogas mais pesadas, não é de se espantar que a corrida pela realização sexual traga tantos problemas sociais e familiares. Essa cultura coloca o corpo como um objeto  acima até mesmo da pessoa humana, e isso sim é insanidade, pois não somos animais irracionais. O trará resultados emocionais para cada uma de nossas ações e, pela experiência estampada em jornais e revistas, as consequências têm sido desastrosas.
Não falo mais em  inversão de valores,  pois este modo de vida que estão empurrando para nossas crianças é coordenado por doentes, por mentes depravadas sem qualquer juízo moral ou preocupação verdadeira com nossas crianças. Tenho que concordar que o que querem  mesmo é transformar mesmo nosso país em uma Sodoma e Gomorra. E isso não é frase de crente, é ação de gente que ignora e desrespeita não apenas a fé, mas as pessoas que tem fé. É paradoxal, pois falam tanto em liberdade religiosa e tratam com intolerância e perseguição aqueles que querem e gostam de viver de forma digna conforme a sua fé.
A mídia  propaga a pornografia para menores em todos os horários
Voltando A pergunta que me faço todos dos dias, outra resposta pode ser dada. O aumento de todos estes problemas relacionados e sexualização precoce é motivado direta ou indiretamente por uma cultura sexual apoiada e incentivada pela mídia, onde crianças, até em programas de TV, exibem seus corpinhos dançando funk e tantos outros ritmos. Como é o caso do programa da tarde de domingo da tão reverenciada Regina Casé, o tal Esquenta, onde a própria apresentadora ensina as crianças pequenas a colocar o dedo no bumbum e fazer gesto sensualizando, induzindo a crença de que o “Esquenta” está na região do bumbum. Um ato aparentemente inocente… só que não.
Não entendo onde está o Estatuto da Criança e do Adolescente que permite crianças fazerem parte de um programa que, nas entrelinhas do politicamente correto e do amor às diferenças, ensina e incentiva a sexualização de crianças tão pequeninas que, movidas pelo amor e entusiasmo da apresentadora, rebolam e sensualizam com suas roupinhas sensuais parecendo adultas… Lamentável.
A pornografia está sendo incentivada como algo de direito do ser humano, como algo normal e natural, sem que se leve em conta os riscos da compulsão sexual e das tantas parafilias (doenças sexuais) que podem afetar diretamente a criança, jovens e adolescentes e ainda aumentar a violência contra a mulher, a criança e o adolescente, que devem ser protegidos.
Pior ainda é o carnaval que vem aí, onde as crianças imitando adultos com seus shortinhos curtos rebolam até o chão imitando seus “ídolos”; como a Anita, que tem jeito de menina comportada em programas de TV, mas durante o show “erotiza” usando lingerie (como está em vários vídeos de internet). Simulando poses sexuais leva adolescentes ao delírio, motivando o ato sexual em publico. Sem ter entendimento (espero), estes artistas incentivam mentes doentias de homens pornográficos (parafílicos) que podem estar assistindo a seus shows e, motivados pela sua “dança sexual” que mais parece sexo explícito, abusar de mulheres; o que já é “lugar comum” em shows como estes.
Este tipo de dança das “Anitas”, e outras funkeiras, é que todos chamam hoje de uma inocente sensualização? É um incentivo para o sexo precoce entre jovens que, motivados pela sua musa, estão banalizando sua sexualidade. Só que as “Anitas” fazem isso em seus shows para “causar” e as meninas farão na vida real, ali nos shows mesmo, como a própria imprensa tem mostrado em seus flagrantes. Essas meninas podem não apenas contrair doença sexualmente transmissível como também uma gravidez indesejada.
É desta forma, fazendo espetáculos sensuais eróticos que antes eram restritos a boates de prostituição, que estas cantoras e algumas apresentadoras podem estar motivando homens doentes a estuprarem e/ou abusarem de mulheres durante a volta para casa e até mesmo de crianças, já que essas estão frequentando bailes e shows como esses cada vez mais cedo.
O fato é que artistas que vivem sensualizando em shows e principalmente em bailes funk, somado ao uso e abuso de bebidas alcóolicas e drogas, são os grandes incentivadores de um abuso sexual. Lamento que nem mesmo o Estatuto da Criança e do Adolescente se importa verdadeiramente com as crianças, pois as autoridades não se preocupam com esta realidade.
A pornografia é anti-humana
Pela sua preocupação com os órgãos e funções, a pornografia não se importa com a pessoa em si. Às novelas faltam histórias com conteúdo. Devido a essa representação sub-humana do indivíduo, a pornografia desumaniza e apresenta as relações sexuais entre os seres humanos como não tendo maior significado do que a união dos animais. De fato, a pornografia retrata atos sexuais com animais como se eles fossem apenas outra variante da experiência humana.
A clara degradação e humilhação das mulheres é o tema central das novelas e programas. Na pornografia menos violenta o abuso é menos óbvio, mas ainda assim está presente uma vez que as mulheres são tratadas como objetos sexuais, criaturas disponíveis para serem olhadas de revés, usadas e abusadas e depois substituídas por outras.
A pornografia deriva não da satisfação ou prazer, mas de tentativas de compensar medos inconstantes de verdadeiro encontro sexual. Tudo é mantido ao nível superficial e fácil: ideias de compromisso ou de casamento são evitadas ou deliberadamente ridicularizadas. Não é surpreendente, portanto, que as análises feitas recentemente sobre o conteúdo desse tipo de programas, novelas e etc. tenham mostrado que aumentou o uso de temas violentos.
A pornografia cria um ambiente que é prejudicial tanto ao desenvolvimento psicológico como moral das crianças, que estão desenvolvendo a sua visão do mundo adulto neste contexto. Elas estão sendo orientada desde os primeiros anos de vida para uma aceitação amoral da promiscuidade, e ainda são bombardeadas com imagens de sexualidade adulta muito antes de estarem emocionalmente preparadas para isso.
A pornografia, pela sua influência nos costumes e convenções, é antissocial. Os defensores da pornografia irão argumentar que a decisão de ler ou ver é individual e não diz respeito a mais ninguém; contudo, todas as indicações mostram que o uso da pornografia tem repercussões sociais. A pornografia é contra as relações humanas saudáveis e, portanto, contra a família. Devido à sua obsessão com a função sexual, a pornografia evita qualquer reconhecimento do valor das relações familiares. O casamento é ridicularizado, a promiscuidade é promovida, as relações homossexuais valorizadas e o sexo em grupo aprovado. A pornografia é contra a cultura. Muita discussão tem surgido acerca da afirmação, feita pelos seus defensores, de que a pornografia merece a mesma proteção que a melhor arte e literatura. Porém, uma das características da arte é que ela enobrece e enriquece, enquanto a pornografia toma, degrada e destrói.
E Deus o que pensa disso tudo
Vamos ver agora o que Deus diz dessa sensualização, que é um incentivo à pornografia, que nossos olhos estão se acostumando a ver e aceitar, contribuindo assim para o avanço do relativismo sexual.
Advertências contra a imoralidade sexual (pornografia, sensualização etc.)
Não quero lançar condenação, mas quanto Deus fala  em santidade e imoralidade tem um por que. Não é para condenar, e sim para dar livramento e proteger a cada um de nós dos transtornos e traumas terrenos e para garantir nossa morada na eternidade.
Vou usar como exemplo a carta de Paulo aos coríntios. A igreja de Corinto, além das divisões e partidarismos, que não agradavam ao apostolo Paulo, tinha casos sérios e tolerados pelos membros de imoralidade sexual. Essa palavra, imoralidade, vem da palavra grega porneia, pornografia etimologicamente falando. Deus está mandando fugir da pornografia. O problema em corinto era sério, pois a imoralidade dentro da igreja estava tão presente como está nos dias de hoje, fortemente influenciada pela cultura da época e pelos deuses pagãos, principalmente pela deusa Afrodite, que era conhecida como deusa do sexo.
Deus nos ensinando acerca da imoralidade
“Por toda parte se ouve que há imoralidade entre vocês, imoralidade que não ocorre nem entre os pagãos, a ponto de um de vocês possuir a mulher de seu pai”. 1 Co 5- 1
Na sua primeira epístola aos coríntios, Paulo faz sérias advertências sobre a imoralidade sexual e as relações sexuais ilícitas, determinando que fosse expulso da congregação um homem que havia abusado da mulher do seu pai (capítulo 5) e alertando que o homem que se une a uma prostituta torna-se uma só carne com ela.
Paulo adverte contra a pornografia
Após advertir duramente contra a imoralidade sexual na segunda parte do capítulo 6 da epístola (versos de 12 a 20), Paulo passa a falar, no capítulo 7, sobre os deveres quanto ao casamento, onde exalta a fidelidade conjugal entre o marido e a esposa. Fala daqueles fazem opção pelo celibato para se dedicarem mais às atividades eclesiásticas, porém recomenda a aqueles que não tenham a vocação para uma vida de castidade que se casem. Também permite um novo matrimônio para as viúvas, considerando serem mais adequadas às pessoas se casarem do que terem uma vida de imoralidade, contrária aos propósitos divinos.
Paulo adverte contra qualquer prática sexual que não seja natural (homem e mulher)
Nesta epístola está claro o conhecimento da existência e a não aceitação da prática do sexo dito não natural. Nos versos de 9 a 10 do capítulo 6 é utilizada a palavra sodomita, fazendo uma menção às práticas homossexuais das cidades de Sodoma e Gomorra que, de acordo com o livro de Gênesis, foram destruídas por Deus na época de Abraão em decorrência de sua total imoralidade.
“Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus.” 1 Co 6:9-10
Seu corpo é templo do Espírito
Você  pode dizer “o corpo sou meu, eu faço o que eu quiser”. E sim, você tem livre arbítrio, mas é a Bíblia diz ao contrário do discurso de hoje, o nosso corpo não pertence a nós, é para servir ao Senhor.
O apóstolo Paulo situa o corpo do cristão como um membro de Jesus Cristo e o templo onde o Espírito Santo habita, que virá a ser restaurado por Deus na ressurreição dos mortos. Assim, o apóstolo explica que o cristão não pode fazer o que bem entender com o seu corpo, participando de relações sexuais contrárias aos mandamentos bíblicos, porque o corpo do cristão pertence a Deus.
“Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo.” 1 Coríntios 6:18 
A igreja havia se acostumado com tais práticas, aquela igreja não apenas apoiava o pecado, mas militava no   “politicamente correto” de forma que a aplicação da tolerância havia chegado ao extremo. É possível que não mais se levasse em conta o absoluto, o relativismo cultural já havia tomado conta da igreja. A igreja de Corinto, como algumas igrejas da atualidade, toleravam o pecado e, pior, em determinados contextos esse é assumido com naturalidade.
Entretanto, Paulo nos mostra em sua primeira carta ao povo de Corinto que a  igreja tem a função de alertar, informar e ensinar; porém, não de obrigar ninguém a adotar este ou aquele comportamento. Mas faz duros alertas, deixando ensinamentos sobre a imoralidade e, claramente, sobre a pornografia, que é uma grande preocupação da igreja nos tempos de hoje.
Muitos cristãos se acostumaram com o pecado   e  estão dando voz não a Deus, mas  ao mundo,  e nos acusando de sermos obsessivos pelo assunto. Eu me pergunto: como falar do amor cristão sem falar em santidade? E como podemos nós, reles mortais, relativizar princípios tão claros? Quem nos autoriza a fazer  isso? Quem nos dá este direito espiritual? Quem tem coragem de arriscar e manipular a palavra de Deus para agradar grupos e mídia? Eu não, pois não manipulo versículos para servir aos meus desejos, e quem tem juízo faça o mesmo. Princípios não podem ser mudados, ou não seremos mais igreja e Deus perderá sua função.
Na igreja cristã não há relativismo sexual, mas a sociedade cristã, que é a grande maioria, está se acostumando com esse relativismo sexual e, ao mesmo tempo, também relativizando a sexualidade em nosso meio. Deus nos advertiu sobre isso em vários textos, mas escolhi a carta de Paulo aos Coríntios por ser esta uma igreja que se parece muito com a igreja existente em nosso meio: pessoas se convertem, trazem seus comportamentos relativistas, e não pensam e nem querem mudança. No início, na fase do Leite espiritual, tudo bem; acredito que até Deus entende e espera nossa adaptação, mas chega um tempo em que é necessário fazermos escolhas e aceitar que fazer parte do cristianismo legítimo não cabe o relativismo sexual.
“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine.” 1 Co 6:12
Não temos um Deus que condena a prática sexual, mas sim que nos dá a direção de como a viver.
O atributo do amor não lança fora a santidade. O sexo, para nós cristãos, é uma benção sim, é bom, é gostoso e é para ser vivido; porém, em quatro paredes e entre casais, casados, homem e mulher.
Sabemos que pessoas da sociedade que aprovam o relativismo sexual como algo bom para suas vidas não entendam nosso modo de viver, mas é fato que viver um para o outro e esperar por este momento e manter-se em fidelidade não é apenas um dever de um cristão, mas uma proteção contra doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e traumas emocionais. Se mantivermos um certo recato não serviremos como alimento para mentes doentias de pessoas que nos veem motivadas pelo erotismo e a banalização da sexualidade objetos sexuais.
Deus não nos pune nos aconselhando acerca da pornografia, da banalização da sexualidade e da imoralidade sexual; e sim nos protege de tantos abusos, tantos traumas e tantos problemas sociais, inclusive aqueles que só nos trarão infelicidade.
Um jovem cristão que resolve esperar tem risco zero de contrair doenças sexualmente transmissíveis, de contrair AIDS pela via sexual, gravidez indesejada e de ser traumatizada devida a amores que podem não dar certo. Então, não apenas nos protegemos, mas protegemos também a nossa  sociedade.
“Mantenham-se no amor de Deus, enquanto esperam que a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo os leve para a vida eterna. Tenham compaixão daqueles que duvidam;  a outros, salvem, arrebatando-os do fogo; a outros, ainda, mostrem misericórdia com temor, odiando até a roupa contaminada pela carne.” Judas 1: 21-22
A pornografia é contra a vida. Rejeitar a pornografia não é ser negativo em relação à vida, pelo contrário, é a pornografia em si mesma que é niilista, reducionista e destrutiva, é uma influência negativa na sociedade e nas relações pessoais. Nós não precisamos pedir desculpas quando proclamamos amor, a não lascívia, e quando rejeitamos tudo o que não é o melhor para o homem e a mulher, feitos à imagem de Deus.
Referências
LOPES, H. D. I Coríntios. São Paulo: Hagnos, 2008.
MORRIS, L. I Coríntios: Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2007.
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sábado, 28 de setembro de 2013

O CRISTÃO EM RELAÇÃO AO MUNDO

O CRISTÃO EM RELAÇÃO AO MUNDO


Alguns amigos uma vez me perguntaram: "Eu cri em Jesus Cristo e recebi o perdão de pecados mediante Sua redenção. Agora que sou salvo, qual deve ser minha atitude para com meu país, para com a sociedade e com relação aos problemas internacionais? Eu deveria ter uma atitude passiva e fechar os ouvidos para tudo ou deveria participar ativamente na solução de todos os problemas?”.
Tenho de admitir que essa não é uma questão fácil de responder. Isso é algo muito complexo. Não podemos respon­der a essa pergunta com duas ou três frases. Entretanto, essa questão tem um relacionamento íntimo com nossa fé. Para esclarecer esse assunto, quero usar este capítulo para menci­onar resumidamente a atitude adequada que o cristão deve ter em relação aos problemas sociais e políticos.

As Duas Vindas de Cristo
Primeiramente, a Bíblia nos mostra de maneira bem clara que Cristo tem de vir duas vezes. A primeira vez já ocorreu no passado. A segunda ainda não ocorreu. Em Sua primeira vinda, Ele realizou determinadas coisas. Na segunda vinda, Ele realizará mais algumas. Esperamos que Ele venha em breve e que não tenhamos de esperar muito. Mas Ele tem Seu tempo. Cristo não é insensível para com os problemas sociais e políticos. Mas Ele tem Seu tempo.
Podemos ver, a partir da Bíblia, que em Sua primeira vinda, Ele tratou principalmente com o pecado, libertou os pecadores e dispensou a eles uma nova vida. Em Sua segunda vinda, Ele cuidará dos problemas sociais e renovará o sistema político. Nossa salvação pessoal é claramente definida em Sua primeira vinda. Nosso país, sociedade e os sistemas existentes serão eficazmente cuidados em Sua segunda vinda.

Muitos Problemas neste Mundo
Como cristãos, temos determinadas posições e atitudes referentes a questões atuais, entretanto, não estamos tentando resolver todos os problemas. A nossa esperança reside no fato  de que Cristo virá pela segunda vez e assim essas questões serão totalmente resolvidas.
Admitimos que há muitos vícios em nossa sociedade. Não podemos negar que nosso país tenha muitas necessidades. O sistema é basicamente doentio; há tantas contradições em nossa estrutura política. As tensões crescem constantemente na esfera internacional, e o futuro é sombrio. Os jovens de hoje têm uma preocupação especial com esses assuntos. Quanto mais eles ponderam nessas questões, mais ficam confusos. Por toda parte há homens inteligentes tentando resolver esses problemas. E por toda parte, pode-se encontrar ainda mais problemas. Alguns imaginam como poderá o homem sobreviver neste planeta na próxima geração. Outros estudam o impacto global da falta de alimentos. Há também a questão ambiental e de transportes. As pessoas se perguntam por que tem de haver crimes e injustiça, e por que as prisões estão sempre cheias de criminosos. Outros questionam a validade da existência de classes, de que alguns membros da sociedade sejam bem alimentados nada fazendo, enquanto outros tenham de suar o dia todo e ainda assim permanecer em profunda pobreza. Há crises por toda parte; crises entre países, crises entre raças e crises entre cores.
Admito que há problemas por toda parte. Por um lado, o homem está ocupado promulgando leis para prevenir catástrofes. Por outro lado, quanto mais leis o homem Institui, mais alastra-se a ilegalidade. Muitos problemas são atacados e defendidos com igual veemência. Alguns matam diariamente milhares de animais para satisfazer o estomago. Outros acham que é abominável maltratar até mesmo a menor criatura. Por causa de todas essas questões que se levantam em nosso mundo, há uma cadeia interminável de perguntas passando diariamente pela nossa mente.

A Atitude do Cristão
Qual deve ser nossa atitude, como cristãos, diante de todos esses problemas? Em meio a todos esses debates e argumentos, onde nós, cristãos, devemos posicionar-nos?
Primeiramente, devemos ver que Deus já preparou a solução para todos esses problemas. Ele também já estabele­ceu o momento para a sua realização; Deus está mais que claro a respeito deles. Pela Bíblia pode-se ver que ninguém está mais claro que Deus a respeito deles. Por essa razão você não precisa temer ou atormentar-se nem fazer suas propostas precipitadamente.
Quando Cristo veio pela primeira vez, Ele nos salvou individualmente. Ele não tratou com o mundo ou com seus sistemas. Ele não tocou em nenhum problema social. Sua primeira vinda foi para resolver as questões espirituais, não as materiais. Mas isso não significa que Ele as ignora. Cristo cuidará de todos esses problemas; Ele tratará de cada um de maneira cabal. Mas nossa obra e responsabilidade como cristãos é somente concentrar-nos naquilo em que Deus se concentra. Somente fazemos o que Cristo está fazendo. Esse é o nosso princípio básico.

Todos os Problemas Originam-se no Pecado
Sem dúvida, vemos muitos problemas existindo em nossa sociedade e em nosso país. Cada um deles é um grande problema. Todos exigem solução imediata. Mas temos de ver que o fator originador de todos eles é o pecado. Porque o homem caiu e ficou alienado de Deus surgiram todos esses problemas. A ordem na qual Deus opera Sua salvação é primeiramente nos salvar e resolver nosso problema de peca­do. Isso é a nossa regeneração. Depois que o homem é salvo, todos os problemas relacionados a ele, conseqüentemente, são resolvidos.

Cuidar do Interesse de Deus
Portanto, nós, os redimidos, devemos primeiramente conhecera obra de Deus e concentrar-nos em Seus interesses. O que mais inquieta a Deus é o problema do pecado. Devemos inquietar-nos também com isso. Desde que Deus se preocupa com salvação e santificação pessoal, não temos escolha a não ser dar atenção para as mesmas coisas. A solução para esses problemas é a obra de Deus hoje e deve ser a obra de todos os que pertencem a Ele. Hoje, Cristo está dispensando a vida de Deus para o homem. Nós também temos de fazer o mesmo. Essa é Sua obra e também a nossa obra.
Pelo fato de a obra ordenada por Deus para o cristão hoje ser salvar os pecadores dos pecados e dispensar a vida de Deus, não importando nossa posição, temos de fazer a obra de salvar os homens dos pecados. Quer sejamos rei ou escravos, nossa comissão é a mesma: Dispensar a vida de Deus para os outros.



Influência Indireta
Você pode saltar imediatamente em direção a mim, dizendo: "Você vai ignorar a sociedade e trair seu país? Você vai deixar de lado as coisas enquanto raças são oprimidas, nações são atormentadas e classes são exploradas?”.
Posso apenas dar uma simples resposta a isso, que é: somente devemos preocupar-nos com uma única coisa. A Bíblia mostra-nos essa única coisa. O resto não é nossa responsabilidade. Quando um homem é salvo, ele espontaneamente será benéfico à sociedade. Ele naturalmente será um patrimônio para a sua comunidade e para a nação e naturalmente não será prejudicial às pessoas nem aos animais. Não há dúvidas quanto a isso. Temos somente uma obra direta que é evangelizar os outros. O resultado disso será automaticamente um benefício para a sociedade e a nação. Entretanto, esse resultado é apenas o fruto indireto. O que nos preocupa primordialmente é o resultado espiritual, pois o físico definiti­vamente será cuidado. Quando cuidamos de indivíduos, a sociedade como um todo colherá os benefícios.

Salvar os Outros
Nosso serviço não é tratar diretamente com os problemas da nossa nação ou reorganizar nossas instituições ou revolu­cionar nosso sistema político. Não estamos aqui para resolver diretamente os problemas entre as raças. Não se pode encon­trar tais mandamentos na Bíblia. O que a Bíblia nos mostra é que devemos esforçar-nos ao máximo para salvar os outros e para resolver os problemas individuais de pecado e santificação. Quando os pecadores são salvos, eles espontaneamente afetarão sua comunidade, sua nação e suas instituições huma­nas. Mas todas essas ajudas são prestadas indiretamente. Não tratamos diretamente com elas.

Luz e Sal
O Senhor Jesus disse: "Vós sois a luz do mundo. Vós sois o sal da terra”. Alguns tomam essas palavras à sua própria maneira e se posicionam no sentido de sugerir que deveríamos fazer de nosso mundo um lugar mais limpo e puro.
Mas temos de perceber o que são a luz e o sal. A Bíblia mostra somente em um lugar o que é a luz. Em Efésios 5:13, ela diz: "Tudo que se manifesta é luz”.Luz é aquilo que expõe. Como cristão, ser a luz do mundo significa que você expõe as pessoas ao seu redor. Por exemplo: Se todos ao seu redor são alcoólatras e ninguém jamais se sentiu incomodado com isso, sua presença os convencerá de estarem errados. Ou talvez todos eles sejam jogadores de cartas e sejam insensíveis a isso. Sua presença os fará envergonhados. Todos ao seu redor gostam de discutir e de provocar. Mas você somente sorri para eles sem participar das suas atividades. Sua presença, então, os convencerá da corrupção deles. É isso que significa ser luz. Quando você expõe o erro deles, você é luz para eles.
Somos meramente luzes. Não estamos aqui para queimar os cassinos, prender os fora da lei e reformar a sociedade. Ser luz significa que antes os outros não conheciam o que é maligno, mas a sua presença como cristão os convence de seus vícios. A luz expõe todas as coisas.

Conservante
E o sal da terra? A função do sal é conservar coisas mortas, impedindo-as de se deteriorarem e ficarem mal cheirosas. Se você aplicar sal a algo já morto, essa coisa é preservada de posterior degradação e corrupção. Há muitíssimos objetos mortos neste mundo. Se olhar ao redor, você verá todo tipo de coisas decadentes. Elas estão ali se deteriorando. Sua presença como cristão impedirá que essas coisas se deteriorem ainda mais.
Nosso serviço não é limpar a casa, livrar o mundo de toda sua sujeira. O Senhor nunca nos comissiona para reformar a sociedade ou para mudar as instituições. Ele apenas nos dá autoridade para salvar os outros. Nós somos o sal da terra.  Estamos meramente preservando os sistemas mortos de uma maior decadência. Não temos a responsabi­lidade de reformá-los.

Salvem os Homens
O mundo é como um velho navio, construído de materiais diferentes. Há madeira e metais. Mas nenhuma peça está íntegra; todas estão corroídas. O leme soltou-se e o navio está à deriva. Há um grande buraco e ele pode afundar a qualquer momento. O tempo se esvai. Você tem de decidir se vai salvar o navio ou os homens que estão nele. Se houvesse tempo suficiente, você poderia salvar a ambos. Mas não há tempo para que ambos sejam salvos. Quem, então, você resgataria?
Nossa visão cristã é de que o navio está inutilizado. Está muito velho. Mesmo que seja salvo, não passa de sucata. O motor é um monte de ferro velho. Nenhuma parte pode ser recuperada. Assim, abandonamos o navio e salvamos apenas os homens. Tire as pessoas e descarte o recipiente. Além disso, o proprietário do nosso navio está construindo um maior, novinho em folha. É esse que esperamos. Essa é nossa atitude para com o mundo.

Novo Céu e Nova Terra
Cremos que não há absolutamente qualquer solução para os problemas dos sistemas de governos e da sociedade. A única maneira é ignorá-los. Esses problemas serão cuidados. Quando forem inaugurados o novo céu e a nova terra, a velha ordem, juntamente com todos os seus problemas, terão passado. Hoje, não cuidamos desses problemas. Somente salvamos as pessoas. Embora depois que as pessoas são salvas, a sociedade como um todo é um tanto afetada, ainda assim, nossa comissão não é salvar o mundo.

Jesus como Salvador
Vejamos novamente o Senhor Jesus. Ele nunca tocou na questão política. Havia muitíssimos israelitas que fariam jura-mento de fidelidade a Ele se Ele se proclamasse Rei. Mas Ele não aceitou assumir essa posição. Teria sido porque Ele não tinha poder para revolucionar o sistema? Teria sido porque não podia salvar Seu país? É claro que Ele podia. Mas não o fez. Ele veio salvar indivíduos, salvá-los dos pecados. Ele morreu na cruz e ressuscitou somente para nos libertar dos pecados e para nos dar uma nova vida.
A primeira vinda de Cristo foi para realizar a obra da salvação. Ela nos liberta do pecado e nos dispensa vida. Ele não participou de reformas sociais. Mas, ainda hoje, alguns O vêem como um reformador social. Entretanto, Ele jamais instigou as pessoas a reorganizarem o governo ou a armarem uma revolução.



Nenhum Interesse na Política
Certa vez, alguns judeus vieram prová-Lo. Eles pergunta­ram se era ou não correto pagar imposto a César. Os romanos eram uma nação guerreira e seu imperador era um tirano. Como Jesus lhes respondeu? "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.O que Ele queria dizer é que não estava  interessado em política. Ele removeu todas as coisas mundanas. Esse é o nosso Senhor. Se Ele quisesse derrubar o governo de Roma, não Lhe seria difícil. Mas Seus olhos não estavam nessas coisas. Ele enfatizava uma única coisa, que é crer Nele. Temos de crer Nele.
Ele disse que é o Bom Pastor que deixou noventa e nove ove-lhas no aprisco para buscar uma única ovelha que estava perdi-da. Ele é como uma mulher que tem dez peças de prata e per-deu uma. Ela acende sua candeia e procura por toda a casa até que a encontra. Ele disse que também é como um pai, que não pode descansar até que seu filho pródigo volte para casa. Seu propósito é salvar os homens. Ele não tem nenhuma outra intenção além dessa. Ele nunca tocou em problemas sociais. Seu alvo é o homem. Tudo o que Ele quer é salvá-lo e protegê-lo.

A Preocupação de Paulo
Voltemo-nos, então, para Seu apóstolo, Paulo. Que tipo de obra ele fez? Ele jamais tentou mudar a ordem social. Ele veio apenas resolver as necessidades espirituais do homem e solucionar os problemas espirituais da igreja. Ele não se preocupava com as questões políticas da época.
Naqueles dias os romanos governavam seu império com punhos de ferro. A história nos diz que eles tinham uma desumana instituição de escravidão. Não somente era legal comercializar publicamente seres humanos, como também podiam flagelar e até mesmo crucificar à vontade os escravos. Que ordenou Paulo que os cristãos fizessem? Ele disse que os escravos devem ser obedientes a seus senhores e não somente àqueles que são bons, mas também aos maus e cruéis. Paulo teria dito isso por não ter coragem de se levantar contra o sistema escravagista? Todos os que leram as cartas de Paulo concordam que se houve um homem corajoso neste mundo, além de Jesus de Nazaré, esse foi Paulo.

A Solução para Todos os Problemas
Deus, hoje, está salvando indivíduos. Quando eles são salvos, muitos outros problemas são resolvidos. Eles se resol­verão espontânea e naturalmente. No meio dos cristãos não há diferença entre judeus e gregos. Tampouco há diferença entre escravos e livres ou discriminação entre ricos e pobres. Até mesmo inimizades profundamente arraigadas entre povos e nações são dissolvidas entre os cristãos. Os judeus têm o orgulho nacionalista mais forte. Eles são o povo mais segrega­do e consideram os gentios como cães. Mas imediatamente após virem ao Senhor, eles se unem aos cristãos das demais culturas. Todas as tensões e conflitos são dissolvidos.

A Pessoa Errada
Se um cristão não conhece a ordem da obra de Deus, e abandona a obra de evangelismo para engajar-se em reformas políticas e sociais, o resultado não é simplesmente uma questão de certo e errado, é uma rua sem saída.
Todos os problemas de hoje são causados pelo fato de o homem estar fora de ordem. É pelo fato de o homem ser mau que o sistema se torna mau. E, uma vez que o homem é mau, nenhum sistema pode ser bom. Mesmo que ele seja capaz de estabelecer um sistema bom, sua natureza maligna ainda é a mesma e ele nada pode fazer. Há muitas correntes filosóficas que são elevadas e lógicas, mas, sob a mão do homem corrupto, nada podem alcançar. Por outro lado, se o homem é correto, não importa se o sistema for um pouco defeituoso. Se, todavia, o homem está errado, um bom sistema torna-se inútil. A primeira vinda de Cristo foi para proteger os homens. Sem os homens, Ele não tem como agir.

A Parábola do Mundo
Temos de ver uma passagem na Bíblia para entender como Cristo trata com o mundo. Primeiramente veremos a parábola e, então, sua explicação.
Mateus 13:24-30 diz: "Outra parábola lhes propôs, di­zendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro."
Leia os versículos 36 a 40 do mesmo capítulo: "Então, despedindo as multidões, foi Jesus para casa. E chegando-se a ele os seus discípulos, disseram: Explica-nos a parábola do joio do campo. E ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos. Pois, assim como o joio é colhido e lançado ao fogo, assim será no fim do mundo" (fim do mundo - I1313-Rev.).

O Fim do Mundo
O Senhor diz que há um fim para este mundo. Que ocorrerá no fim deste mundo? Note, por favor, os versículos 41 a 43. "Mandará o Filho do homem os seus anjos que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüi­dade, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça”.

Coisas que Causam Escândalos
No fim do mundo, o Senhor ajuntará do Seu reino todas as coisas que causam escândalos e os que praticam iniqüida­de. Essa é uma palavra excelente. Ele abolirá tudo o que causa escândalo. O problema racial causa escândalo. Ele será tirado. A luta pelo poder internacional também é um elemento de escândalo. Ela também será removida. Haverá somente um reino: o reino de Cristo. Não existirão mais conflitos interna­cionais. Todos os problemas que causam escândalos, como a exploração de classes e as lutas ideológicas, serão arrancados.

Coisas que Causam Iniqüidades
Isso não é tudo. Tudo o que causa iniqüidade também será removido. Você não mais encontrará mesas de jogo ou bares. Todos os canais que levam ao pecado serão varridos. Mesmo que você queira pecar, não será capaz de fazê-lo, pois todos os meios de transgressão já não existirão. Mas isso somente ocorrerá na segunda vinda de Cristo. Todos esses problemas serão então resolvidos.

Os Justos Resplandecerão
Naquela ocasião, iniciar-se-á o reino de Deus na terra. Todos os salvos tomar-se-ão justos, porque seus pecados foram tirados.  Todos esses justos resplandecerão no seu’ reino. Eles governarão nesse reino. A presença deles será como o sol, cujos raios alcançam os cantos mais longínquos e cujo poder se espalha por toda a terra. Mas tudo isso ocorrerá somente na segunda vinda de Cristo.
Não é de se admirar que você fracassará se quiser trabalhar para Cristo hoje. Somente naquele dia é que o reino da terra tornar-se-á o reino de Cristo e de Seus santos. Quando aquele dia chegar, não somente todos os vícios sociais serão varridos; o livro de lsaías nos diz que até mesmo as inimizades no reino animal serão removidas. As criancinhas poderão brincar com serpentes e os leões pastarão como as vacas. Até mesmo a natureza bestial dos animais será transformada. Tudo isso ocorrerá na segunda vinda de Cristo.

A História de uma Política Inglesa
No século passado, houve uma mulher política inglesa chamada Christobel Pankhurst. Ela era a líder do movimento pelo voto feminino. Antes da Primeira Guerra Mundial, ela fez de tudo para tentar evitar a guerra. Mas a astúcia e iniqüidade dos políticos da época logo deflagraram a catástrofe. Ela, então, esforçou-se ao máximo para tentar terminar com a guerra. Mas seus esforços foram em vão; a guerra somente terminou após quatro anos amargos. Ela pensava que se tão-somente chegasse ao poder, seria capaz de provocar reformas políticas. Mas, por fim, convenceu-se de que não há honesti­dade na política. Ser honesto jamais tornaria alguém bem-sucedido na área política. Ela passou a perder a fé nos sistemas do mundo.
Um dia, ela procurava alguns livros numa livraria de Londres e puxou de uma pilha de livros um pequeno livrete escrito por um cristão. Ele dizia que o mundo ia piorar mais e mais, sem oportunidades de melhora. A solução final somente viria quando Cristo voltasse. Ela foi totalmente capturada por essa mensagem e perguntou o preço do livro. O livreiro, sabendo que ela era uma política famosa, deu-lhe o livro de presente.
O livro havia sido publicado algumas décadas antes daquela ocasião, e seu autor já tinha morrido há muito tempo. Mas ela percebeu que aquilo que o livro mencionava sobre a situação mundial era absolutamente correto. Todos os outros livros discutiam meramente a aparência exterior, enquanto esse expunha a raiz do problema. Ele dizia que o Senhor Jesus veio a primeira vez para salvar os pecadores. A segunda vez que Ele vier, Ele mudará os sistemas políticos. O livreto também mencionava algumas profecias na Bíblia relativas ao fim do mundo. Por causa daquele livro, ela começou a ler a Bíblia e aceitou Jesus Cristo como sua Salvador e Rei. Mais tarde, ela abandonou sua carreira política e escreveu bons livros sobre a obra de Cristo e Sua segunda vinda.


Aguardando a Vinda do Senhor
O que necessitamos hoje é ser um cristão adequado. Não precisamos tentar mudar as instituições ou reformar a socie­dade. Toda nossa esperança está na vinda do nosso Senhor. Quando Ele vier, todos os problemas serão resolvidos.
Hoje, somente buscamos a Deus. Aguardamos a vinda do Seu Filho, e confiamos que naquele dia reinaremos com Ele na Sua glória.




Capítulo 15 do livro : O sentido da Vida de Watchman nee.